Facebook

Luis de Matos - Thursday, November 17, 2011 - Comentários (0)

Imaginemos o novo café da moda que abre na cidade... Os grupos de amigos criam novos hábitos e passam a encontrar-se nesse novo espaço, conhecem novos amigos, partilham experiências e vivem outras novas. Mostram as suas fotografias, comentam um artigo de jornal, discutem idéias e perseguem novas causas. Imaginemos a mesma realidade mas à escala global. Imaginemos que, em vez de mostrar as nossas fotografias, distribuíamos cópias a todos os presentes e àqueles que até ao final dos nossos dias por lá passarão. Imaginemos que tudo aquilo que dizemos em ambiente de mesa de café ficará para todo o sempre eternizado de forma escrita e absolutamente indelével. Imaginemos que o “dono do café” tem tudo gravado, sabe tudo sobre os nossos gostos e debilidades, sonhos e frustrações e que sem sequer tenha que nos dar conhecimento, pode vender essa informação a quem quer que esteja interessado, quaisquer que sejam as suas intenções. Imaginemos que nesse dito “café da moda” todos trazíamos escrito na testa o nosso endereço, de casa e trabalho, telefone e email, permitindo a qualquer outro cliente do bar saber rigorosamente onde encontrar-nos. Não é necessário continuar a imaginar o que já existe, chama-se Facebook.

Na verdade, o Facebook é aquilo que cada um quiser para si. Sou admirador e utilizador da rede social e agradeço o facto de me permitir estar mais ligado ao mundo e a todos aqueles a quem o meu trabalho interessa. Como em tudo, existem limites que se ultrapassam e o bom senso nem sempre é mantido. Exactamente como no tal “café da moda” mas numa escala nunca antes observada. O Facebook, empresa privada, reuniu por doação voluntária a maior base de dados do mundo.

O Austríaco Max Schrems, estudante de Direito com 24 anos de idade, pode ser apenas um dos 800 milhões de utilizadores da rede social Facebook, mas isso não o impediu de importunar e vigorosamente questionar o gigante Americano a propósito da privacidade dos seus dados. Max não sabia o que esperar quando contactou a empresa de Mark Zuckerberg pedindo que lhe fosse fornecido o registo de todos os seus dados pessoais; contudo, receber 1222 páginas de informação estava certamente para lá daquilo que poderia, sequer, imaginar. As páginas incluíam fotos, comentários e mensagens há muito por ele apagadas. Nada se apaga do Facebook, apenas se esconde de nós próprios. Max Schrems decidiu agir sob a convicção de que tal funcionamento infringe as leis da União Europeia. Depois de nada conseguir no seu país, Schrems levou a questão ao “Data Proteccion Commisioner”, com sede na Irlanda, onde o Facebook tem a sua sede europeia. A luta continua e todos podem participar, basta visitar o site http://europe-v-facebook.org/.

Mas, em matéria de excentricidades, o Facebook tem-nos oferecido belas pérolas… A americana de trinta anos que incendiou a casa da amiga por esta a ter eliminado da sua lista de amigos… O suspeito ilibado por ter colocado um post à hora exacta do assalto que afirmava não ter cometido… ou a esposa que soube que o seu marido se ia divorciar quando leu o que este escrevera no seu mural!

“A invenção de que não podemos privar-nos mas precisamos entender…”

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