Força Colectiva

Luis de Matos - Thursday, August 18, 2011 - Comentários (0)

O comportamento de indivíduos em grupo é um assunto que psicólogos e sociólogos estudam com grande seriedade. Contudo, na sua essência, é algo que já todos experimentámos de forma mais ou menos superficial. Algo que podemos observar à nossa volta e que a aldeia global e a livre circulação de informação vieram potenciar mas, por outro lado, algo que é inerente à nossa própria natureza.

Quantos de nós já não decidimos fazer algo verdadeiramente radical num cenário de grupo quando nunca ousaríamos dar tal passo se estivéssemos sozinhos? Fazer bungie-jumping nas férias, tomar banho num rio poluído à beira de um festival de verão, ou jogar na roleta numa ida ao casino com amigos? É a força do grupo e a forma como ele estimula a acção fazendo desaparecer momentaneamente os nossos medos. Certo é que, quando em grupo, sempre aceitamos enfrentar riscos maiores.

A circunstância é habitualmente a desculpa que serve de gatilho. Os tumultos recentemente havidos no Reino Unido poderiam, aparentemente, ser interpretados como a resposta popular ao tiro da polícia que levaria morte do gangster Mark Duggan. O sucedido deu origem a uma primeira vigília pacífica. A consequência adulterada dessa contestação, que viríamos a ver nas ruas de várias cidades inglesas, nada tem a ver com sede de justiça ou solidariedade para com o dito gangster. Os tumultos foram alimentados pela ganância e a “excitante” possibilidade de roubar e destruir de forma caótica e impune.

Conheço advogados de sucesso que se transfiram numa parada gay mas que nunca ousariam chegar a um tribunal vestidos de drag queen, professores universitários que insultam ferozmente os árbitros e que nunca admitiriam tais palavras vindas dos seus alunos. Tais atitudes em nada comprometem a sua individualidade e consciência mas o grupo dá-lhes a força acrescida que alimenta e faz divergir o seu comportamento. É a força de um grupo numa dada circunstância.

O código abaixo reproduzido leva-nos para um video no Youtube onde duas jovens bem falantes se gabam de mostrar à polícia inglesa, poder fazer o que quiserem, afirmando que atacar os ricos é apenas disso um sinal. Páginas poderiam escrever-se sobre a irracionalidade e profunda estupidez presentes na sua acção e discurso. Uns diriam que a causa de comportamentos como este é o fracasso do multiculturalismo, a ascensão do Estado ao bem estar e a procura incessante de direitos, o colapso da família e da comunidade, a secularização da sociedade, a relativização da moralidade e da opressão do politicamente correcto. Não discuto. O que, sim, é para mim evidente é que foi na força do grupo e nas características da circunstância que essas alminhas encontraram o indutor de uma força que não têm e de uma coragem que individualmente não lhes assiste.

Mais preocupante que os distúrbios propriamente ditos é o facto de que um novo e mais forte grupo pode emergir. Entre os que foram presos e os que escaparam mas guardam “troféus” em casa, sejam plasmas ou fotos nos seus telemóveis, existem agora milhares de jovens que têm uma história em comum. Os pequenos grupos que isoladamente emergiram podem agora juntar-se e vir a lutar numa frente comum.

A psicologia de massas diz-nos que, pessoas comuns ganham poder agindo colectivamente. Somos muitos os que achamos que é urgente embeber as gerações vindouras num verdadeiro espírito de comunidade onde o respeito e a solidariedade social sejam as bandeiras. O segredo é “simples”… só temos que nos manifestar e “forma um grupo”, talvez assim tenhamos mais força e coragem.

“As coisas que não ousaríamos fazer se estivéssemos sozinhos”

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