Osama indelével

Luis de Matos - Thursday, May 12, 2011 - Comentários (0)

Osama bin Mohammed bin Awad bin Laden, fundador da al-Qaeda, a organização responsável pelo 11 de Setembro nos Estados Unidos e vários outros ataques homicidas em massa, contra alvos civis e militares, nasceu a 10 de Março de 1957 e foi assassinado no início deste mês de Maio. As notícias sobre a sua morte, as leituras, os comentários e as opiniões vindas de todos os quadrantes têm inundado a internet e a comunicação social em geral. Muito se tem dito e especulado acerca das consequências políticas da morte do fundador e líder da Al-queda. Não é disso que vos vou falar.

Tão logo ocorreu a tragédia do ataque às torres gêmeas em Nova Iorque, começaram de imediato as discussões, as conjecturas e, até, os concursos de ideias acerca do que deveria ser construído no lugar antes ocupado pelas torres. Imediatamente me ocorreu aquilo que, ainda hoje considero ser uma boa ideia ou, pelo menos, a melhor que consegui ter. Na minha opinião a única resposta possível seria construir um monumento que reproduzisse rigorosamente o aspecto e a escala das torres tal como as conhecíamos até ao dia 11 de Setembro. Seriam assim duas torres absolutamente idênticas àquelas que o terrorismo tinha feito ruir. Seria exclusivamente um monumento que, tendo tamanho e aspecto reais, não seria utilizável ou frequentável. No seu interior não existiriam escritórios nem milhares de trabalhadores. Ao não ter sido esta a solução encontrada, a “obra” de Bin Laden será para sempre celebrada cada vez que a linha de horizonte de Nova Iorque nos passar pelos olhos, seja ao vivo ou em postais ilustrados. Na sétima arte a perenidade da sua acção é sempre assinalada com comentários que situam a data da feitura de determinado filme como “antes” ou “depois” de Bin Laden, em função de vermos ou não as tão características torres. Tal facto situa Bin Laden numa posição de referência em matéria de cronologia quase semelhante à de Cristo. Até 2001 somente se utilizava a expressão “antes” ou “depois” de Cristo. Depois da queda das torres o mundo adoptou o “antes” ou “depois” de Bin Laden. É pena que, aparentemente, ninguém tenha pensado o suficiente para evitar tamanha idolatração do mal.

Também fiquei atónito com a ligeireza com que dirigentes e cidadãos anónimos se apressaram em dizer ter sido feita justiça com a morte do líder terrorista. Em primeiro lugar, sendo cidadão do primeiro país do mundo a abolir a pena de morte, acho que nada se resolve com a morte de alguém. Ainda assim, e se fizermos a mais simples das comparações aritméticas, como é possível que alguém ache que, com a morte de uma pessoa, se vinga a perda de cerca de três mil seres humanos no dia da tragédia, e muitos mais em tudo aquilo que se seguiu?

Talvez o maior feito da CIA na última década não tenha sido assim tão bem feito…

“Bin Laden vivo para sempre”

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