Pais e Sociedade

Luis de Matos - Thursday, November 10, 2011 - Comentários (2)

O mediatizado caso da menina Safira e dos pais que enfrentaram o IPO por preferirem tratamentos alternativos aos que eram sugeridos para a sua filha, e ainda o polémico vídeo do Juíz William Adams a bater na filha com um cinto durante sete longos minutos, que esta semana chegou ao Youtube pela mão da própria filha, hoje com 23 anos, e que já atinge os 6 milhões de visualizações, levam-me a reflectir sobre filhos, pais, sociedade e Estado.

Em 1959, representantes de centenas de países do mundo inteiro aprovaram a Declaração dos Direitos da Criança durante uma assembleia geral das Nações Unidas. Trata-se de uma adaptação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, porém, voltada para as crianças. Do seu enunciado consta a seguinte ideia: “Todas as crianças devem ser protegidas pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possam desenvolver-se física e intelectualmente.”

Sendo certo e desejável que todas as crianças devam ser protegidas pela família, pela sociedade e pelo Estado, qual das três entidades deve ter a palavra final no caso de estas terem opiniões diferentes sobre a melhor forma de exercer essa obrigação e proporcionar o referido direito? Onde acaba a responsabilidade dos pais e começa a da sociedade e a do Estado? Estará uma criança condenada a sofrer as consequências, por vezes irreversíveis, das decisões estúpidas dos pais que lhes calharam? Deverá uma criança estar sujeita à influência de uma sociedade sem valores e sofrer com as leis generalistas de um Estado cego, mesmo quando os pais sabem qual o caminho certo? Não haverá nunca respostas simples e definitivas para perguntas como estas. Cada caso é um caso e quanto mais próximos nos são mais difícil é a nossa objectividade.

Não entrarei em especulações a propósito de nenhum dos dois casos reais que antes referi, por achar que nunca sabemos o suficiente para podermos permitir-nos arriscar opiniões sentenciais e, quase sempre, contaminadas de certezas e radicalismo. Além disso, não sou pai. Ainda que ache que talvez essa condição me confira a equidistância que qualquer reflexão honesta deveria supor.

As opiniões dividem-se quando se fala em castigar fisicamente os filhos. Nunca entendi os pais que se gabam de nunca ou sempre baterem nos seus filhos. Por que razão deveria uma ou outra realidade ser motivo de bajulação? Tornou-se socialmente inaceitável assumir certos castigos. Por mim, resta-me publicamente agradecer aos meus pais por terem sabido proteger-me e ensinado a distinguir o bem e o mal. E sim, apanhei umas quantas sovas. E depois? Aqui estou eu profundamente agradecido.

“Pais, filhos, sociedade, Estado… um equilíbrio nem sempre equilibrado…”

Comentários (2)
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