Portugal nos cuidados intensivos

Luis de Matos - Thursday, April 14, 2011 - Comentários (0)

O nosso país precisa de suporte avançado de vida. O médico intensivista chama-se FMI. O perigo de morte, ou a salvação da banca rota, qualquer que seja a metáfora a que queiramos recorrer, só será possível se o doente colaborar. Porém, o doente só pode colaborar a partir do momento em que toma consciência do seu estado. E isso parece ser algo que ainda falta a alguns portugueses. Temos todos que perceber que a crise é real e incontornavelmente grave. Não é o facto de a ignorarmos que fará com que passe. Não é por gritarmos que deixará de doer e ninguém se cura de cancro até iniciar o tratamento, e quanto mais tarde o iniciar menor serão as possibilidades de cura.

De que adianta recusarmos um determinado tratamento, pelo sofrimento que causa, se é o único meio conhecido para continuarmos vivos? De que adianta recusar o PEC 4 se o que agora aí vem é bem pior? De que adianta os parceiros sociais não saírem da sua atitude autista se as empresas não têm dinheiro para pagar aos seus trabalhadores? De que adianta haver eleições se os partidos continuam a olhar para dentro?

Diz o povo que “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Se o esforço não for de todos não sobreviveremos. Mas atenção, o tal esforço, ou mesmo o sofrimento, não será opcional. Os preços vão aumentar e os ordenados vão baixar e atrasar-se. Os despedimentos vão aumentar e o poder de compra vai baixar.

É a terceira vez que Portugal recorre à ajuda do FMI e as medidas aplicadas em 1978 e 1983 ainda estão na memória de muitos. As medidas de austeridade que aí vêm serão pesadas. O tempo que gastarmos a reclamar será subtraído ao que temos disponível para procurar a salvação. Não é um exagero. Portugal precisa de ser salvo da banca rota. Viver acima das nossas possibilidades é fácil e muito agradável, mas passámos o limite e está na altura de pagar por isso.

A solução é só uma: gastar menos e produzir mais. Será nessa certeza que nos emprestarão oitenta mil milhões de euros. Precisamos de menos sindicatos e mais trabalhadores. Precisamos de menos administradores de empresas públicas e mais justiça nos ordenados desses. Precisamos de poupar mais e gastar menos. Precisamos de menos políticos de carreira e mais homens com sentido de missão.

Quarenta e sete portugueses notáveis assinaram um documento chamado "Um Compromisso Nacional". Um documento apartidário e preocupado. São pessoas deste calibre que podem salvar Portugal. E o que têm eles em comum e que ainda ninguém disse? Têm idade para ser avós. Estão, por isso, mais preocupados com o futuro dos seus netos do que com a sua carreira ou o lucro pessoal. É isso que nos falta. Precisamos de líderes que não contaminem a sua acção social com o seu interesse privado, seja ele o lucro, o estatuto ou a carreira. Precisamos de, acima de tudo, pensar Portugal. Somos uma grande família que começa a passar fome. É preciso trabalhar, é urgente poupar.

“Enquanto há vida, há esperança… mas depende de nós!”

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