Quebrar a Corrente

Luis de Matos - Thursday, August 04, 2011 - Comentários (1)

Quantos de nós não receberam por correio a história do menino que se encontra numa fase terminal de cancro e cujo último desejo é o de entrar para o Guinnes com a sua colecção de cartões de visita? Este é apenas um dos milhares de exemplos de “cartas em cadeia” cujos objectivos são bem distintos dos que aparenta o seu conteúdo.

A “carta em cadeia” consiste numa técnica de recolha de informação em massa, feita de forma pro-activa e aparentemente voluntária, com base em pressões psicológicas ou simples ganância inata. Habitualmente são usadas histórias emocionalmente manipuladoras ou esquemas piramidais para ficar rico num instante. Paralelamente a esses tipos de “isco”, recorrem ainda à exploração da superstição para ameaçar o destinatário com má sorte ou até mesmo violência física ou morte, caso "quebre a corrente" e se recuse a aderir ao proposto na carta.

Longe vai o tempo em que tais missivas chegavam até nós exclusivamente por via postal. Hoje em dia os burlões, ou até mesmo algumas empresas cujo prestígio não deveria ser beliscado pelos seus responsáveis, recorrem ao email, às mensagens escritas e às redes sociais. Frases como “Por favor fotocopie esta mensagem e envie para 10 pessoas durante as próximas 24 horas” são agora substituídas por “Reencaminha já para todos os seus contactos de correiro electrónico”. O seu texto é criado com o intuito de defender a sua própria reprodução e o sucesso do mesmo basea-se na impulsividade que induz e na, real ou intuída, ameaça de sansão nele presente.

Mas será que a única consequência é o tempo que tais jogos nos fazem perder? Longe disso. Quando reencaminhamos um e-mail, impulsivamente e sem grandes precauções, fornecemos ao próximo destinatário uma lista de endereços e contactos. Quando os nossos amigos, por sua vez, fazem o mesmo estamos perante uma escalada imparável de partilha de dados pessoais. A análise dessa informação permite o estabelecimento de relações e padrões de comportamento que são altamente apetitosos para o amigo do alheio. Uma vez nas mãos erradas, tais listagens permitem o delinear de ataques muito específicos com base nos nossos perfis.

Petições e concursos são a forma mais moderna de “cartas em cadeia”. O objectivo é o mesmo, apenas se altera o modus operandi. Pense duas vezes antes de reencaminhar avisos de vírus, piadas e videos engraçados. Desconfie, proteja-se e proteja os seus amigos. E, claro, pense duas vezes sempre que a primeira coisa que lhe pedirem, depois de seguir um qualquer link, for o seu nome, endereço e número de telefone.

Caso o seu hábito seja o de partilhar tudo o que cai na sua caixa de email, pelo menos, e para bem de todos nós, faça-o por favor em “Bcc” e não em “Cc”…

“Fotocopie esta página e mande a 10 pessoas. Caso contrário…”

Comentários (1)
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