Sai Baba falhou

Luis de Matos - Thursday, May 05, 2011 - Comentários (0)

Sathya Sai Baba nasceu como Sathyanarayana Raju em 1926 e acaba de partir para um qualquer suposto céu privativo. Aos catorze anos autoproclamou-se como a reencarnação de Sai Baba. Morre cinco biliões de dólares mais tarde, aos oitenta e quatro anos de idade.

O seu grande truque era a materialização de cinza sagrada e outros pequenos objectos como anéis, colares e relógios. Os milhões de devotos que no mundo inteiro o idolatravam nunca tiveram dúvidas acerca dos seus poderes. Porém, basta ver meia dúzia de vídeos seus no Youtube para perceber que a sua técnica era tão má que teria certamente grandes dificuldades em convencer uma criança de que aquilo que fazia tinha algo de extraordinário ou inexplicável. Só a cegueira do fanatismo alimentou o seu poder e permitiu que construísse uma fortuna incomensurável. Sai Baba sempre foi tecnicamente muito fraquinho, quase ridículo. Porém, os seus seguidores viam sinais de divindade em cada um dos seus truques mal ensaiados.

Verdadeiro ícone cultural atraiu, como devotos, presidentes e primeiros-ministros da Índia, alegando ter seguidores em 178 países do mundo. A morte do “santo” do sul da Índia deixou de luto milhões de seguidores em todo o mundo e abriu a discussão sobre quem vai herdar a liderança da sua rede.

Para uns, ele foi a encarnação viva do Divino. Para outros, não passou de um charlatão de engenhosidade considerável, de espírito perverso e maquiavélico. Homem famoso e controverso, de invulgar carisma, figura enigmática e notável religioso do século passado nunca casou nem teve filhos, foi também recorrentemente acusado de abusar sexualmente de alguns dos seus discípulos. No final do século XX o número dos seus seguidores era estimado em mais de três milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Segundo a lenda, aos 14 anos, terá sido picado por um escorpião, começando a apresentar sinais de delírio e alucinações. Convencidos de que estaria possuído, os seus pais convocaram um exorcista local que lhe raspou cabeça, marcou o seu couro cabeludo com quatro Xs e sobre as feridas derramou uma mistura de alho e limão. Pouco tempo depois, o miúdo autoproclamava-se a reencarnação de Shirdi Sai Baba, um dos santos mais venerados no sul da Índia, que morreu em 1918. Era o nascimento de um mito e de um complexo negócio de dinheiro, droga, armas e influência.

Sendo a Índia um país onde a tradição da arte mágica foi sempre renovada ao longo dos tempos por grandes profiissionais, é irónico que um dos piores amadores da arte se transforme, com truques simples e mal executados, numa das mais poderosas e influentes figuras da vida social e política do país.

Para grande pesar dos seus ingénuos seguidores, Sathya Sai Baba falhou o seu último truque… a previsão de que só morreria em 2020. E, pergunto eu, ninguém denuncia uns quantos “Sai Baba”que por aí andam?...

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