Uma garrafa que salva vidas

Luis de Matos - Thursday, February 03, 2011 - Comentários (0)

Gestos tão simples como beber um copo de água saída directamente da torneira de nossas casas é algo que nos habituámos a não valorizar convenientemente. Neste momento, há quem tenha que escolher entre beber água contaminada ou morrer. Três biliões e meio de pessoas sofrem, diariamente, as consequências de não ter acesso a água potável. Dois milhões de crianças morrem anualmente pela mesma razão.

A promessa que fiz no número zero foi a de aqui trazer “ideias dos outros” que merecem ser partilhadas. Hoje falo-vos de algo chamado “Lifesaver Bottle”. Um ovo de Colombo que pode mesmo mudar o mundo, ou, pelo menos, salvar milhões de vidas. Não me refiro unicamente às regiões do globo onde as águas contaminadas são um flagelo mas, também, à forma como reagimos na ajuda às populações afectadas por tsunamis e tremores de terra ou que vivem no epicentro de cenários de guerra.

Tradicionalmente, em situações de catástrofe, a ajuda humanitária envia água para as zonas afectadas. Para facilitar a distribuição, dezenas de milhares de vítimas são reunidas num único local. Quase sempre o problema do fornecimento de água localmente tem a ver com o facto de ela não ser potável e não com o facto de não existir. Ao longo da história do mundo as comunidades foram-se fixando junto a fontes naturais de água. É apenas necessário que a tornemos potável. A “garrafa que salva vidas” é um dispositivo que permite que as vítimas possam permanecer nas áreas afectadas e, aí mesmo, possam transformar em potável a mais consporcada das águas, mesmo aquelas em que flutuam destroços, terra ou corpos.

Antes da invenção da “Lifesaver Bottle”, os filtros de água conhecidos eram formados por microporos de 200 nanómetros de diâmetro (200 milionésimos de milímetro), tamanho idêntico ao de algumas bactérias. Vírus, por outro lado, podem medir 25 nanómetros! Na prática, bactérias e vírus passavam livremente pelas malhas desses filtros. Os poros presentes no filtro da “Lifesaver Bottle” têm 15 nanómetros de diâmetro… nada passa!

Se a água, qualquer que seja, for purificada no ponto em que é utilizada poupamos em tempo e dinheiro, para além de resolvermos o problema de forma sustentada. Sim, porque depois de bebida a água da ajuda humanitária o problema continua. Um “Lifesaver Jerrycan” é capaz de filtrar 25.000 litros de água, quantidade suficiente para um agregado familiar de quatro pessoas durante 3 anos, e custa aproximadamente 320 €. Uma garrafa custa cerca de 140 € e serve para filtrar até 6.000 litros de água. No final da sua vida útil, a garrafa bloqueia e basta comprar um filtro novo, cujo custo é inferior a 6 €, e que filtrará mais 6.000 de água suja. 

Michael Prichard inventa a “Lifesaver Bottle”, um dispositivo portátil de purificação de água, ao ver as notícias do Tsunami na Indonésia e do furacão Katrina nos Estados Unidos.

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