Uma língua única

Luis de Matos - Thursday, April 21, 2011 - Comentários (0)

É provável que linguistas, filólogos e defensores da língua como símbolo máximo da identidade de um povo não tenham sequer passado da leitura do título desta página. Se o fizerem tenho a certeza de que não subirei na sua consideração, se é que algum dia lhes mereci alguma. Eu sou daqueles que defende uma língua única num mundo verdadeiramente global. Defendo que é muito mais importante aquilo que pensamos do que a fórmula que usamos para transmitir as nossas ideias. Essas fórmulas, desenvolvidas ao longo dos tempos como instrumento de comunicação, compostas por gramática, sintaxe e vocábulos, são utilizadas por “pequenos grupos” de indivíduos que habitam este planeta.

Sinto-me excluído e pobre, quando escuto outros como eu a comunicar entre si e nada percebo. Basta entrarmos numa loja de chineses ou aguardar na porta de embarque de um qualquer aeroporto para de imediato me sentir excluído do mundo que partilhamos. Conheço e simpatizo com pessoas de outros países e culturas com quem não posso comunicar porque os nossos antepassados assim o determinaram. Gosto de comunicar, partilhar o que penso e conhecer as opiniões dos demais. Por vezes, sinto que tanta coisa podia ser dita mas que tal se torna impossível apenas pelo facto de que alguém não fala português e eu só consigo exprimir-me em meia dúzia das cerca de seis mil línguas modernas actualmente existentes no mundo. É triste.

Antigamente a língua era quase um código secreto usado por grupos de pessoas. Esse código era como uma muralha que defendia o grupo, permitindo entre os seus membros uma comunicação impenetrável por intrusos. Hoje vivemos num mundo que às vezes até já parece pequeno. A globalização, apreciada por uns e rejeitada por outros, é uma realidade. Por que motivo não se globaliza a comunicação? Tanto para perguntar e aprender…

Os seres humanos e a sua capacidade biológica de se comunicarem através de uma linguagem rica baseada em símbolos e regras, permite-lhes passar idéias e culturas para as gerações seguintes. Sem língua, a cultura como a conhecemos não existiria. Mas por que não uma comunicação sem fronteiras e barreiras intransponíveis?  Aos defensores da diversidade apenas direi que ela reside naquilo que pensamos e sabemos e não na forma como entre nós partilhamos, ou infelizmente não, essa riqueza.

Curioso que o “The Wall Street Journal” tenha recentemente publicado um texto de Gautam Naik a propósito de um estudo que vem finalmente reconhecer a possível existência da mãe de todas as línguas. Um idioma ancestral, único, falado por humanos como nós, em África, há mais de cinquenta mil anos…

“Substituir forma por conteúdo na busca de uma comunicação global”

Comentários (0)
Post has no comments.
Deixe um comentário




Captcha Image