Universo Paralelo

Luis de Matos - Thursday, June 23, 2011 - Comentários (0)

O título talvez seja exagerado, mas a explosão das redes sociais veio definitivamente consubstanciar uma realidade alternativa. Uma realidade globalmente exposta e absolutamente viral. Longe vai o ano de 1971 em que o primeiro email foi enviado. Hoje em dia, os conteúdos circulam livremente em espaços como o Twittter, o Facebook, o Youtube e tantos outros. No Facebook podemos encontrar mais de 500 milhões de usuários activos, metade dos quais acede à rede através de dispositivos móveis, com centenas de amigos e cerca de 700 biliões de minutos passados por mês no casa do senhor Mark Zuckerberg.

Quando actualmente olhamos para as estatísticas referentes aos vários níveis de comunicação entre pessoas, poderemos ficar preocupados com o facto de a conversa “cara-a--cara” aparecer em décimo lugar. Nos primeiros lugares estão o Twitter, o Facebook, o email, as SMSs e o telefone, entre outros. Não é, provavelmente, um mau sinal já que não quer dizer que nos tenhamos afastado das pessoas com quem nos cruzamos diariamente. Significa, isso sim, que estamos mais próximos dos que estão longe.

As redes sociais vieram dar às pessoas o poder de partilhar numa escala maior. Estar ligado ao mundo que nos rodeia nunca foi mais fácil e acessível do que é hoje. Com as pessoas a quererem fazer ouvir a sua voz e partilharem o que, no seu entender, é importante, as redes sociais transformaram-se numa das maiores indústrias do nosso tempo. Antigamente era o “boca a boca”, hoje é o “partlhar no perfil”.

Mas será que ninguém desconfia por que razão tudo nos é dado literalmente “à borla”? É simples. A publicidade que nos obrigam a consumir é paga por nós. Mas não apenas isso. Nós mesmos, de livre e espontânea vontade, oferecemos diariamente dados que nunca confessaríamos a alguém que nos parasse na rua para fazer perguntas. Tudo o que colocamos nas redes socias passa a ser propriedade das mesmas. Não me refiro apenas a fotos, textos e comentários. Refiro-me aos nossos gostos e preferências. Informação extraordinariamente valiosa para quem cria e vende produtos. Na rua, desconfiamos de alguns inquéritos, porém, na internet respondemos durante o nosso horário de trabalho ou durante o pouco tempo que poderíamos dedicar à família, a todo o tipo de estímulos deixando que isso fale por nós.

Na vida real nunca ninguém nos apontaria uma máquina fotográfica sem sequer pedir licença. Porém, nas redes sociais, qualquer um pode simplesmente arrastar qualquer imagem pessoal para o seu computador. A técnica evolui mais rapidamente que a capacidade de legislar. A técnica evolui mais rapidamente que a nossa capacidade de reagir. Veja-se o exemplo do Facebook, criado em 2004. Apenas sete anos mais tarde vêm as autoridades inglesas apelar aos professores para que não incluam alunos no seu núcleo de amigos online. As barreiras são difíceis de estabelecer quando o terreno é desconhecido.

Não é ficção… o “universo paralelo” existe mesmo.

“Reflexões sobre redes sociais, no dia em que atingi os 50.000 fans no Facebook”

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