Vende-se

Luis de Matos - Thursday, July 07, 2011 - Comentários (0)

É o que o mais comum dos mortais faz quando o dinheiro escasseia. Antigamente era o “prego”, hoje vende-se o ouro da família, o carro, os móveis, os discos e até comida. Tenho um amigo sueco que comprou um carro a um coleccionador americano através do eBay, o mais popular site de leilões online. Claro está, que isso não é nada comparado com as mais ridículas vendas feitas online. Desde braços para publicidade, à disposição para neles serem tatuadas marcas conhecidas até jantares com celebridades, passando por brinquedos sexuais em segunda mão, tudo se vende. São as regras impostas pela austeridade.

Até aqui, nada há de trágico, por maior que seja o nosso espanto quando confrontados com as listagens dos sites online que nos permitem arranjar compradores interessados para o que já não queremos ou podemos ter. A tragédia anuncia-se quando percebemos que caminho semelhante é o escolhido pelos países. É isso mesmo o que está a acontecer. Vários países europeus estão a fazer rigorosamente o mesmo.

Alguns do países mais endividados da Europa estão a colocar à venda alguns dos seus melhores activos numa tentativa de reforçar a sua credibilidade internacional. Não falo só da Grécia e de Portugal, o mesmo está a acontecer na Irlanda, em Espanha, em Itália e, inclusivamente, em terras de sua magestade, Inglaterra.

Os privados que tiverem dinheiro podem agora comprar vários serviços de controlo de tráfego aéreo de diversos países, a Coudelaria Nacional da Irlanda, o aeroporto de Barajas em Madrid ou o HMS Ark Royal da Marinha Real Inglesa.

Cá pelo burgo também muito é o que se prepara para estar à venda. Concretizado o resgate, vamos agora vender 49% de quase tudo, para além de empresas, aeroportos e imóveis onde antes funcionavam governos civis.

Admiramo-nos quando sabemos que os chineses compraram parte de Manhatan no estado de Nova Iorque, mas nada disto é novo. Há muitos anos também a bela e imponente Quinta da Regaleira, em Sintra, pertenceu a um grupo de japoneses que se preparava para tudo terraplanar e aí fazer um mega campo de golfe. Mas seria essa a verdadeira intenção? Talvez não…

O que sempre acontece é que o Estado vende hoje para voltar a comprar, mais caro, amanhã.

“A Europa transformada numa espécie de eBay para ricos…”

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