Viva a Revolução!

Luis de Matos - Thursday, March 17, 2011 - Comentários (0)

Nem estrelas rock, nem partidos, nem clubes, nem mesmo a selecção nacional foram alguma vez capazes de ter uma força e uma eficácia tão mobilizadoras quanto aquela que tiveram os quatro jovens cuja iniciativa culminaria na revolução do passado dia 12 de Março. O dia em que o Facebook juntou o povo que através dele combinou encontrar-se na rua.

Entre a polícia que hesitou em dar os números e algumas estações de televisão que deram a notícia como se de um fait divers se tratasse, o que é certo é que todos, mesmo os que acreditávamos desde o início, acabámos por nos surpreender e emocionar. O João, a Paula, o António e o Alexandre, quatro discretos e geniais ex-estudantes de Coimbra, fizeram com que mais de trezentas mil pessoas viessem à rua dizer “basta”.

Excepção feita a pequenas colagens que acabaram por ser marginais, a manifestação foi exemplarmente laica e apartidária, transgeracional e multi-cultural. Em doze cidades, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal, uniram-se dando força a um protesto colectivo. Um protesto que uniu as várias gerações que estão, de facto, à rasca.

Na minha opinião existem dois problemas. O primeiro é que Portugal está tão endividado que os investidores internacionais só nos emprestam dinheiro a taxas muito altas. O segundo é que não se pode evoluir se a produção de riqueza continuar sistematicamente a servir para alimentar um, demasiado grande, grupo de privilegiados. O segundo problema é maior que o primeiro. A solução do primeiro só surgirá depois de internamente resolvermos o segundo. As metáforas são simples e podem ser feitas com base num pequeno agregado familiar ou uma qualquer pequena ou média empresa. O primeiro problema assemelha-se aos juros que os bancos nos cobram quando mais precisamos. O segundo é semelhante ao de alguém que gasta os seus recursos no supérfluo e depois se queixa que não tem dinheiro para o essencial. O problema é que há muito estamos a ser geridos por carreiristas, quase carteiristas, que estão mais preocupados em ter sucesso na carreira do que fazer uma carreira de sucesso.

Um dia, alguém perguntará onde estava cada um de nós no dia 12 de Março. Enquanto não sabemos o que realmente mudou depois desse dia, prefiro simplesmente achar que depois de andarmos há anos a exaltar o centenário da República assistimos finalmente à sua celebração. A “coisa pública” fez-se ouvir. Viva a República!

“12 de Março foi o dia em que se celebrou o centenário da república.”

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