Zetgeist

Luis de Matos - Thursday, December 22, 2011 - Comentários (1)

Termo alemão que traduz o espírito de uma época ou um sinal dos tempos, “zeitgeist” já foi usado para dar nome a movimentos mundias, filmes e outras obras de arte e, inclusivamente, fazer publicidade a máquinas de café repletas de modernidade. Zeitgeist resume, numa única palavra, o clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo. Em 2011, o “zeitgeist” foi transversal. Em 2011, como nunca, o povo deste planeta azul começou a unir-se e juntos começaram a perceber que, igualmente juntos, podiam de facto fazer a diferença.

Manifestações e protestos globais anunciaram um estado de emergência global, uma necessidade imperiosa de combater a sentença de George Orwell e a tendência natural que o poder tem para a corrupção. Os mais variados poderes atingiram limites de ganância que fizeram disparar a indignação colectiva. O povo está cansado e começou a perceber que pode mesmo unir-se para, quem sabe, vir a fazer a diferença. A evidência do que nos rodeia levou a que os comentadores profissionais deixassem de ser os únicos a falar em público. Este foi o ano dos megafones, das faixas com palavras de ordem, das redes sociais como ambiente catalizador de protestos e unificador de idéias e vontades. 2011 foi o ano em que mais pessoas descobriram o aspecto libertador subjacente ao dito estado de indignação. O sonho ingénuo que deseja o fim de um mundo capitalista nunca pareceu tão possível e, de forma mais ou menos eficaz e consistente, movimentou milhões por todo o mundo.

A revista TIME escolhe anualmente a figura do ano, a pessoa que mais se destaca ou que de alguma forma mais influencia o mundo num determinado ano. A escolha da figura de 2011 surpreendeu tudo e todos e recaiu sobre a figura do manifestante anónimo. Homens e mulheres que, por todo o mundo, decidiram arregaçar as mangas para tentar mudar a nossa história contemporânea. São homens e mulheres que compreendem que é sobre nós, os que hoje vivemos, que recai a obrigação de preparar um futuro melhor e mais justo.

2011 foi um ano inspirador, um ano em que o povo percebeu que pode chegar a ter nas suas mãos um poder superior ao que julgava. Numa necessidade desesperada de fiscalizar e reprovar a escolha de determinadas políticas, estratégias económicas e interesses mais obscuros, numa tentativa de exaltação do poder da democracia, o povo começou a perceber que pode mesmo fazer a diferença. Activistas pacíficos, com idéias revolucionárias, sem pensamento unificado mas com a indignação como factor de simpatia, encontraram na união um instrumento para não sofrerem sozinhos. Os movimentos sociais multiplicaram-se e 2012 promete não ser um ano de retrocesso. O povo aguenta mas, quando se cansa, tem uma tendência natural para a cegueira. O desespero faz-nos disparar em todas as direcções. Quando o desespero é total o descontrolo instala-se. É preciso que quem manda esteja vigilante e rapidamente dê sinais que denotem ter percebido a mensagem. O povo descobriu como traduzir a sua união em força de mudança, mesmo que seja uma mudança para “sabe-se lá o quê”...

“Algo está a nascer, ainda que não saibamos exactamente o quê...”


Comentários (1)
Helena Silva commented on 06-Jun-2012 09:24 AM
Caro Luís de Matos, não sei se deixou de escrever, mas deixou de partilhar as suas ideias. Mesmo que pense escrever um livro, não é a mesma coisa. Este é um Espaço interactivo. É interessante poder comentar, mesmo que não sirva de nada, mesmo que estejamos
a falar para as paredes. É certo que já lhe pedi para eliminar alguns comentários meus, porque foram redigidos com muito sarcasmo, que não é vulgar em mim. Não eliminou, provavelmente nem viu o e-mail. Ainda bem. O que me faz admirar e ainda acreditar na Humanidade,
é "conhecer" pessoas, que apesar de terem uma vida, digamos, confortável, continuarem a lutar com unhas e dentes, para mudar o Mundo. Contra a Injustiça, a Crueldade, a Negligência, etc...

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